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Terra Santa: que a Páscoa não seja apenas uma saudação, mas um testemunho de vida

Por Vatican News – 06/04/2021
Na homilia da Páscoa o Patriarca latino de Jerusalém, Dom Pizzaballa recorda que o Ressuscitado guia e reabre nossos olhos para poder ver a novidade da Páscoa. Também disse que a Igreja é chamada a testemunhar com força e convicção que cada morte, cada dor, cada esforço, pode ser transformado em vida, e que há esperança

Na intimidade do Santo Sepulcro e com o canto da antífona: “Ressuscitei, ó Pai, e sempre estou contigo, aleluia”, o Patriarca Latino de Jerusalém, Dom Pierbattista Pizzaballa, abriu a celebração da Páscoa na Terra Santa, lembrando que estas também são palavras que cada um de nós pode repetir porque no Cristo Ressuscitado renascemos do pecado e da morte para a graça e a vida. No primeiro dia da semana, reunidos para proclamar que Cristo Ressuscitado, o convite do Patriarca, em sua homilia, era ver e crer como os primeiros cristãos, pois eles viram o Ressuscitado e acreditaram profundamente, a partir daquele mesmo sepulcro vazio, que “a ausência do corpo de Jesus” não fala de um roubo, mas do surgimento de uma nova vida.

A morte não tem mais poder

“E é isso que hoje, cada um de nós é chamado a fazer: entrar nos lugares da morte e permanecer ali, na beira do túmulo, para ver e acreditar que embora a morte continue a assustar, na realidade ela não tem mais poder”, afirmou Dom Pizzaballa. O patriarca explicou que permanecer no limiar do sepulcro, como os presentes nesta celebração, é manter aberta uma fronteira, uma passagem, para viver continuamente este movimento da morte à vida. Ver que os sinais da morte ainda estão presentes, mas acreditar na grande e absoluta novidade que é a Páscoa, que não é “corpos que reencontramos, mas olhos que abrem” para uma nova maneira de ver, em vez de redescobrir as coisas do passado.

Santo Sepulcro a voz do Ressuscitado

“Neste último ano, em grande parte do mundo, contamos principalmente contágios, doentes, mortos e, provavelmente, somos um pouco como Maria Madalena: tentados a correr para trás, a procurar os corpos que perdemos, as oportunidades perdidas, as férias adiadas, a vida que parecia nos escapar. Todos nós sonhamos com um retorno à normalidade que, entretanto, poderia ser tanto quanto querer encontrar um cadáver, um mundo e uma vida doente, marcada pela morte”, ponderou o cardeal. Em vez disso, afirmou o Patriarca, no Santo Sepulcro ressoa a voz do Ressuscitado que guia e reabre nossos olhos para ver no vazio, para poder ver a novidade da Páscoa, para olhar os sinais da Paixão e para ver os sinais e a promessa de uma vida nova e extraordinária, “não porque somos sonhadores, mas porque acreditamos em Deus, o Senhor do impossível”.

Traços da Vida entre os sinais da morte

“Creio que este mundo, cansado, ferido, esgotado pela pandemia e por tantas situações de medo, morte e dor; esgotado por demasiadas buscas vãs e que encontra cada vez menos o que procura, precisa cada vez mais de uma Igreja de olhos abertos, de um olhar pascal que saiba ver os traços da Vida mesmo entre os sinais da morte”, disse Dom Pizzaballa.

O Patriarca acrescentou que uma Igreja humilde, orgulhosa da vitória de seu Senhor, pode e deve começar de novo, ousando propor a todos a alegria do Evangelho, redesenhando um mundo e uma história de novas relações de justiça e fraternidade. Neste contexto, o Patriarca afirmou que “nada é impossível para aqueles que têm fé” e chamou os cristãos a terem a coragem de ser discípulos do impossível, capazes de ver o mundo com um olhar redimido pelo encontro com o Ressuscitado, e de acreditar com a fé sólida daqueles que viveram o encontro com a Vida.

“Cristo não é um cadáver: Sua Palavra não é uma letra morta, Seu reino não é um sonho quebrado, Seu mandamento não está ultrapassado: Ele é a vida, nossa vida, a vida da Igreja e do mundo”

Por fim, Dom Pizzaballa pediu que esta verdade, esta proclamação do Cristo Ressuscitado que nós, como fiéis e como Igreja, somos chamados a proclamar “não seja somente uma saudação”, mas, seja o testemunho convicto e profundo de que “toda morte, toda dor, todo esforço, toda lágrima podem ser transformadas em vida”. E que há esperança. Há sempre esperança”, concluiu.