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Proteja seu fígado: cuidado com chás, ervas, suplementos e dicas da internet

Por Agência Rádio 2 – 24/08/2021

 

Vendidos livremente, chás e ervas apontados como milagrosos, suplementos e até medicamentos são consumidos pela população, sem orientação médica, para promover saúde e bem-estar.

No entanto, essas substâncias sobrecarregam o fígado e estão entre as causas de lesões no órgão, que podem evoluir de forma silenciosa para doenças graves, como cirrose e câncer de fígado.

Quem faz o alerta é o hepatologista Raymundo Paraná, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Hepatologia:

Sonora :

(O estímulo à automedicação ou à ideação de que determinados tratamentos mágicos funcionam como tratamentos para desintoxicação do fígado, como tratamentos com especialidades novas, que não são reconhecidas pelo conselho, mas que a toda hora aparecem num contexto muito comercial, isso leva o indivíduo a se expor a risco. Qualquer substância que venha, que adentre o organismo e que seja metabolizada no organismo, ela pode acarretar algum risco. Os chás não são isentos, como também não são isentos desse risco os termogênicos, os suplementos alimentares, os fitoterápicos ou algo que temos visto muito recentemente, as fórmulas prescritas por especialidades que nós não reconhecemos como especialidades médicas, mas que prometem induzir perda de peso e que prometem induzir melhora da imunidade, sem que tenha nenhum respaldo científico.)

O médico diz que as lesões no fígado induzidas por ervas, chás, fitoterápicos e tratamentos emagrecedores são hoje um problema de saúde pública.

Outros fatores de risco para as doenças hepáticas são o excesso de peso e o sedentarismo:

Sonora:

(O sobrepeso corporal, sobretudo quando associado, e sempre é, quase sem é associado ao sedentarismo, é uma imensa preocupação. Só cresce o número de indivíduos que aumentam o peso corporal, o acesso fácil a alimentações que são ricas em açúcar, ricas em ácidos graxos, muito calóricas. Isso tudo tem levado a um aumento de peso corporal na população, sobretudo na população ocidental, em todos os países, inclusive nos países mais pobres, onde existe vulnerabilidade alimentar, mas existe também desvios alimentares que levam ao consumo calórico exagerado, em detrimento inclusive do consumo proteico. Isso tudo aumenta risco cardiovascular, risco de diabetes e risco de doenças no fígado.)

O hepatologista esclarece ainda que sintomas como boca amarga, azia, má digestão e manchas na pele são falsamente atribuídos ao fígado.

A identificação de possíveis danos ao órgão é feita somente por meio de exame de sangue e ultrassom e, de acordo com o doutor Raymundo Paraná, o diagnóstico de esteatose hepática, a gordura no fígado, indica que algo está errado no organismo:

Sonora:

(Ela vai denunciar que há necessidade daquele indivíduo fazer uma avaliação e ser orientado e, muito provavelmente, essa orientação versará sobre o seu comportamento alimentar e também sobre a questão do sedentarismo. Importante, antes de falarmos sobre isso, é dizer que não é a gordura que a gente come que se deposita no fígado. A esteatose hepática ou gordura no fígado, ela é causada pelo fato do fígado produzir um tipo de gordura acima da sua capacidade de exportação. Essa mensagem é importante porque na internet e nas redes sociais aparecem algumas colocações absolutamente equivocadas, mostrando o fígado como uma picanha envolta por gordura. Não é isso. A gordura está dentro das células do fígado. )

Membro do Instituto Brasileiro do Fígado, o IBRAFIG, o médico Raymundo Paraná reforça a mensagem da instituição para que as pessoas adotem hábitos saudáveis de vida.

As agressões ao fígado podem evoluir silenciosamente para doenças graves, por isso é importante que medicamentos só sejam consumidos sob orientação médica.

Outras recomendações são não acreditar em tratamentos modistas, praticar atividades físicas, seguir uma alimentação balanceada e evitar o consumo excessivo de álcool.

Para saber mais sobre os cuidados com o fígado acesse: https://tudosobrefigado.com.br.