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Parolin: o Papa será peregrino de unidade e fraternidade

Por Massimiliano Menichetti – 02/12/2021
Francisco trará para Chipre e Grécia a alegria do Evangelho e a luz da esperança, exortando a Europa e toda a humanidade à unidade e a não abandonar os necessitados. Assim, na véspera da 35ª viagem apostólica internacional do Papa Francisco, se expressa em entrevista à mídia vaticana, o cardeal secretário de Estado Pietro Parolin.

Os preparativos finais na ilha de Chipre, que esta quinta-feira 02/12) recebe o Papa Francisco pela primeira vez, e depois de dois dias o Pontífice seguirá para a Grécia. A viagem, que terminará em 6 de dezembro, verá o Santo Padre “peregrino nas origens da Igreja”. O Papa trará a luz e a esperança de Cristo, e a exortação – sublinha o secretário de Estado da Santa Sé cardeal Pietro Parolin, – “a transformar o Mediterrâneo de um espaço que divide em uma oportunidade de encontro”.

Eminência, com que espírito o Papa se prepara para partir?

Ele mesmo nos revelou nas palavras que dirigiu aos dois países que visitará nos próximos dias. E é o espírito de encontro que caracteriza de certo modo todas as viagens do Papa, eu diria todas as suas atividades, a partir das audiências e das outras iniciativas aqui em Roma, ou seja, este desejo de encontrar o outro. Ele termina sua mensagem em vídeo dizendo: “Não vejo a hora de ir encontrá-los, não vejo a hora de visitá-los”. Ressalta muito bem este espírito de encontro e de peregrinação. Ele se sente como um peregrino, um peregrino às origens da Igreja. Recordamos que estes países foram marcados por itinerários apostólicos de grande importância, aqueles que se referem aos apóstolos Barnabé e Paulo. É um retorno a estas origens, “reencontrar”, diz ele, “a alegria do Evangelho”, que é um tema que percorreu todo o pontificado, começando do primeiro documento. O Papa, como sempre, confia sua peregrinação à oração e pede orações de todos.

A primeira etapa será em Chipre. Desde 1974, a ilha tem a divisão das duas comunidades, cipriota grega e cipriota turca. No Angelus de 30 de agosto, o Papa expressou o encorajamento da Santa Sé para as negociações de reunificação. O que significará a presença de Francisco nesta situação?

É uma situação muito, muito delicada e preocupante… Em abril deste ano houve negociações na Suíça com o presidente da República de Chipre, as autoridades da parte norte de Chipre, sob os auspícios da ONU e com a presença dos países fiadores, que são a Grécia, a Turquia e a Grã-Bretanha. Infelizmente, também esta rodada de negociações não produziu resultados concretos e satisfatórios, ela praticamente terminou sem dar em nada. Creio que o Papa vai para reiterar a posição, a esperança, a exortação da Santa Sé: isto é, que o problema de Chipre possa ser resolvido através de um diálogo sincero e leal entre as partes envolvidas, sempre levando em conta o bem de toda a ilha. Portanto, é uma confirmação da linha da Santa Sé, reiterando-a in loco, com a esperança de que terá um efeito diferente do que proclamá-la de longe.

O Papa se transferirá depois à Grécia, pátria da cultura clássica, como recordou em sua mensagem em vídeo para esta visita, salientando que a Europa não pode prescindir do Mediterrâneo, o mar que viu a difusão do Evangelho e o desenvolvimento de grandes civilizações…

 

O Mediterrâneo nos distancia, o Mediterrâneo nos aproxima, mas o que deve ser o esforço de todos os países, de todos os povos que vivem ao redor desta bacia, é transformá-la de um espaço que divide em uma oportunidade de encontro. Infelizmente, hoje estamos assistindo ao fenômeno oposto: tantas tensões em nível geopolítico que têm o Mediterrâneo como centro e depois o fenômeno da migração. O Papa diz algo muito bonito que retoma um pouco a ideia que ele desenvolveu durante o tempo da pandemia, ou seja, quando ele diz: “Estamos em um barco”… E aí ele diz: “Devemos navegar juntos”. A meu ver, este convite para navegarmos juntos significa: vejam, estamos diante de tantos problemas, temos emergências, como as da pandemia, da qual ainda não saímos completamente, como as da mudança climática – ouvimos isto em Glasgow nestes dias – ou temos fenômenos crônicos, como a guerra, a pobreza, a fome… Portanto, diante destes grandes fenômenos, destes grandes problemas e dificuldades, devemos apresentar uma frente unida, devemos ter uma abordagem comum, compartilhada, multilateral. Esta é a única maneira de resolver os problemas do mundo de hoje.

Portanto, é uma viagem que fala a toda a humanidade….

Eu diria que o Papa quer falar acima de tudo à Europa, convidando-a a redescobrir suas raízes e sua unidade para além das diferentes visões que podem coexistir. E, ao mesmo tempo, ele fala para toda a humanidade, porque penso que o fenômeno das migrações coloca em questão, em discussão, em evidência a nossa humanidade: como nos aproximamos desta realidade, como nos aproximamos das pessoas. Nos últimos dias, o Papa insistiu muito neste ponto e acredito que ele insistirá novamente, também relacionado à sua visita a Lesbos, onde esteve há cinco anos. Portanto, um retorno às fontes, um retorno às fontes de nossa mais verdadeira humanidade.

Eminência, qual é o seu desejo para esta viagem?

Meu desejo é o mesmo que o expresso pelo Papa, que seja uma viagem de volta às fontes do Evangelho, de volta às fontes da fraternidade. Refiro-me sobretudo ao encontro com nossos irmãos ortodoxos, tanto com a Igreja ortodoxa de Chipre como com a Igreja da Grécia, nas pessoas do primaz de Chipre e do arcebispo de Atenas. E depois, evidentemente, às fontes da fraternidade também com os católicos, o Papa o diz claramente. Eles não são muitos, mas são animados, têm uma composição multiétnica, e nisto também vemos a riqueza da Igreja católica. Em seguida, um retorno às fontes, como eu disse, de nossa humanidade. Creio que estes são os desejos que podemos formular para a visita do Papa a Chipre e à Grécia.