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O Papa recorda assassinato em Camarões: que gestos semelhantes nunca mais se repitam

Mariangela Jaguraba – Vatican News
Pelo menos oito crianças morreram e 12 ficaram feridas por golpes de facões e tiros executados por um grupo de homens armados não identificados que entraram numa escola em Kumba.

No final da Audiência Geral desta quarta-feira, o Papa Francisco fez um apelo em prol da República de Camarões por causa do massacre de crianças numa escola em Kumba.

Pelo menos oito crianças morreram e 12 ficaram feridas por golpes de facões e tiros executados por um grupo de homens armados não identificados.

Uno-me à dor das famílias dos jovens estudantes barbaramente assassinados no sábado passado em Kumba, Camarões. Estou perplexo diante desse ato tão cruel e sem sentido, que ceifou a vida desses pequeninos inocentes enquanto eles estavam tendo aulas na escola. Que Deus ilumine os corações, para que gestos semelhantes nunca mais se repitam e para que as martirizadas regiões no Noroeste e Sudoeste do país possam finalmente encontrar a paz! Espero que as armas se calem e que a segurança de todos, o direito de cada jovem à educação e ao futuro possam ser garantidos. Manifesto o meu afeto às famílias, à cidade de Kumba e a toda República de Camarões e invoco o conforto que só Deus pode dar.

Conflito tem raízes antigas

O conflito separatista dos Camarões já dura três anos, mas tem raízes antigas: as relações entre a maioria francófona e a minoria anglófona são tensas desde a independência do país, em 1961, após a unificação dos Camarões francês e britânico. As relações se degeneraram em 2016, depois dos protestos reprimidos em sangue contra a decisão de Iaundê de impor apenas a língua francesa nos tribunais e escolas anflófonas.

A partir daquele momento, o confronto, que até então estava confinado no debate político, resultou em confrontos muito sérios entre separatistas e o Exército regular. Em 2017, a proclamação da independência pelos irredentistas e o nascimento da República de Ambazônia exacerbaram ainda mais o conflito, que causou a morte de mais de 3 mil pessoas e obrigou meio milhão de camaroneses a fugir para as regiões de língua francesa ou para a vizinha Nigéria.