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Muitos casos de câncer de pulmão são subnotificados; tosse frequente deve ser investigada

Por Agência Rádio 2 – 26/08/2021

 

O Agosto Branco é o mês de conscientização do câncer de pulmão, terceiro tipo de câncer mais comum entre os homens e o quarto entre as mulheres, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer, o Inca.

O pneumologista Felipe Marques, especialista em doenças pulmonares intersticiais e terapia intensiva, chefe da equipe de Pneumologia da Beneficência Portuguesa de São Paulo, lembra que o uso do tabaco é um importante fator de risco.

Mas mesmo quem nunca fumou pode ter câncer de pulmão. A causa pode estar na poluição do ar, pode ter relação com infecções pulmonares de repetição, com fatores genéticos, entre outros.

O médico esclarece que muitas vezes a doença só é diagnosticada a partir dos 60 anos e chama a atenção para os principais sintomas:

Sonora

(O sintoma mais comumente relacionado ao câncer de pulmão é a tosse. Costuma vir de forma mais precoce, acontece em dois terços dos pacientes e a gente sempre tem que ficar atentos àqueles pacientes que têm tosse por mais do que duas a três semanas. Na sequencia nós temos a hemoptise, que nada mais é do que a exteriorização de sangue através da via área e que muitas vezes esse sangramento está dentro do parênquima pulmonar ou eventualmente nas vias aéreas. Isso acontece em até metade dos pacientes. Na sequência nós encontramos dispneia, que nada mais é do que falta de ar. Então o paciente começa a perceber que ele caminha cada vez menos porque sente falta de ar, por exemplo, para subir escada, aos esforços, isso costuma acontecer em cerca de 25 por cento dos pacientes. E o ultimo sintoma clássico de paciente com neoplasia de pulmão é dor torácica, muitas vezes relacionada a própria invasão de estruturas torácicas, pela própria neoplasia ou pelo próprio tumor.)

O pneumologista diz que durante a pandemia, o aumento de exames radiológicos para investigar a Covid-19 resultou, incidentalmente, na descoberta de casos de lesões pulmonares com suspeita de câncer.

A doença é diagnosticada por meio de raio-x, tomografia e o PET-CD, um exame mais específico de imagem do tórax que ajuda a definir o local para a biópsia, complementa ele.

O médico Felipe Marques fala sobre os desafios enfrentados na jornada do paciente com câncer de pulmão:

Sonora

(O desafio número um de quem recebe o diagnóstico de câncer de pulmão obviamente é conseguir processar esse diagnóstico, afinal de contas, a gente sabe que o câncer de pulmão demanda uma série de profissionais, uma série de linhas de tratamento, então o primeiro impacto dentro da jornada do paciente, é assim, como o paciente vai receber  bem essa notícia e como ele vai conseguir processar essa informação. Porque daí para frente, a participação de uma equipe multidisciplinar, com oncologista, patologista, cirurgião torácico, pneumologista, radioterapeuta, o próprio radiologista, essa jornada com todos esses envolvidos, é super importante que aconteça, e aconteça da forma certa, na sequência correta e sem perda de tempo, afinal de contas tempo é muito valioso para esse perfil de paciente.)

A importância do diagnóstico com a máxima precisão é reforçada pela Sociedade Brasileira de Patologia, pois aumenta as chances de sobrevida do paciente com câncer de pulmão.

E de acordo com o pneumologista Felipe Marques, o tratamento da doença avançou na última década.

Mas um dos grandes obstáculos ainda é a subnotificação dos casos, afirma ele:

Sonora

(Nós temos muito menos casos do que deveríamos ter, ou seja,  nós estamos subnotificando a doença. Para resolver isso, programas de rastreio, programas de identificação de nódulo incidental, principalmente o uso de tecnologias são fundamentais nessa primeira etapa. Ao longo da última década, a oncologia torácica, ela sofreu uma mudança radical, principalmente com o tratamento personalizado, com a descoberta e com a utilização na prática clínica das mutações. Hoje nós observamos o câncer de pulmão não apenas mais como 4 tipos histológicos principais e que a partir disso nós teríamos quatro tipos específicos de tratamento. Dentro, por exemplo, do subtipo adenocarcinoma de pulmão, nós temos inúmeras outras doenças e essas inúmeras outras doenças, elas estão relacionadas a mutações específicas, a tratamento específicos e isso gerou uma revolução no tratamento desse tipo de neoplasia.)

O tratamento de câncer de pulmão pode envolver cirurgia para a retirada do tumor, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia.

E hoje pode ser incluída a terapia alvo, que é específica para determinados tipos de mutação, complementa o pneumologista Felipe Marques.