Da Redação, com informações de Paulo Neto – 17/02/2023
Aconteceu na noite da última quinta-feira(16) no Anfiteatro da Cúria Diocesana, o lançamento da Campanha da Fraternidade 2023 como tema “FOME”. O lançamento contou com a presença de Dom Luiz Carlos Dias, Padre Márcio Coelho, Diácono Carlos Pavan e autoridades da cidade.
Dom Luis Carlos:
A campanha da Fraternidade completa 64 anos de existência. Quando olhamos para os temas percebemos como a Igreja participa efetivamente e de um modo muito compromissado com a realidade do povo.
É a terceira vez que temos como Tema a “fome”, demonstrando assim a preocupação da Igreja em anunciar o Cristo de um modo mais concreto à humanidade, tocando suas dores.
Com o tema “Fraternidade e fome” iniciamos nosso retiro quaresmal, clamando por conversão. Este convite é estendido à toda sociedade, tendo como objetivo principal fomentar o espírito de fraternidade, superando as necessidades pelo caminho evangélico da fraternidade.
Lembro aqui que a Igreja tem uma evangélica opção pelos pobres e não com ideologias. A CF é motivada pelo espírito evangélico.
A fome atenta contra a vida e a dignidade do ser humano e tem conseqüências na casa comum, que é o mundo. Por isso o Papa Francisco tem denunciado por diversas vezes essa realidade. Olhando então o evangelho, escutamos: Dai-lhes vós mesmos de comer, mostrando que Jesus nos tira das nossas indiferenças com nossos irmãos e nos coloca em uma atitude de compromisso.
A quaresma quer tocar essa sensibilidade do cristão para com as amplas questões sociais que atingem os nossos irmãos.
Cartaz:
No cartaz da CF vemos o mapa do Brasil, que é celeiro do mundo mas que vive uma grande contradição: Não falta comida no nosso território. Então porque há fome?
Temos mãos que repartem o arroz, o feijão, a soja, que são alimentos essenciais para o ser humano. Essa partilha nasce de uma atitude de fé. Tudo isso nos deve lembrar que ninguém pode sofrer com a fome se formarmos uma sociedade mais fraterna e justa.
Texto Base:
A introdução do texto nos inspira à conversão, nos chamando à vida (que todos tenham a vida e a tenham em abundância). Ela apresenta a conversão na dimensão pessoal, comunitária e social. O objetivo geral nos fomenta a transformar essa realidade à partir do Evangelho.
A fome afronta à dignidade humana, o bem comum e a participação na sociedade. Jesus tem a coragem de superar a dor de perder João e se sensibiliza com a dor daqueles que o seguiam. Essa é a nossa missão, sair de nós mesmos e ir ao encontro da dor do outro.
Somos chamados a ver a realidade da fome, pois ela é um fenômeno social e estrutural. A não garantia desse direito universal gera a insegurança alimentar.
Essa pode ser leve, quando há incertezas enquanto ao seu acesso. Pode ser também moderada, quando o adulto deixa de comer porque tem que dar comida às crianças e pode ser grave quando essa fome ataca às crianças.
Várias são as causas dessa realidade: Estrutura fundiária, que produz visando exportação; as más políticas agrícolas; o desemprego, o comportamento moral, o contexto sociocultural que vivemos e os desmontes das políticas públicas.
As conseqüências podem ser apresentadas da seguinte maneira: A fome impede o pleno desenvolvimento psicológico, social e humano; força a migração; ameaça a família; aumenta a criminalidade e faz com que a população busque uma alimentação mais barata, fazendo por exemplo, que pessoas obesas se encontrem em profunda desnutrição.
A igreja tem a missão de continuar fazendo e muito por essa realidade, como por exemplo os vicentinos o fazem, a Caritas brasileira o faz, a pastoral da criança, com seu papel fundamental na nutrição de crianças, a exemplo de grandes santos e pessoas iluminadas, como Dra. Zilda Arns, São Vicente de Paula, Madre Teresa de Calcutá entre outros.
Temos um modo concreto que a CF desenvolve todo ano para ajudar essas causas discutidas, que é a Coleta de Solidariedade feita no Domingo de Ramos, em prol das obras atendidas pela CNBB em todo território Nacional.
A igreja também nos incentiva a ver a realidade social de maneira diferente, como por exemplo a nova economia solidária, vendendo sem a exploração do comprador. Outra forma de mudar essa realidade é a economia de Comunhão, criada pelo Movimento dos Focolares, utilizando o lucro das empresas em prol da sociedade, e também temos a economia de Francisco e Clara apresentada pelo Papa Francisco, convidando aos jovens a pensar a economia de uma nova maneira.
É dessa maneira que a Igreja é sinal no mundo de um Deus que liberta, alimenta e conduz o seu povo a uma terra onde jorram leite e mel, a terra prometida. As comunidades cristãs primitivas eram testemunhas vivas dessa sociedade criada na partilha: E todos repartiam o pão. A comunhão era ritual e material.
Por isso o deserto que vamos enfrentar durante nossa quaresma deve nos levar a repensar os nossos valores e nos colocar nessa mudança de direção, a metanóia, principalmente na vivência da caridade e das obras de misericórdia.
Que a exemplo da Santíssima Virgem Maria, que em seu Magnificat cantou que “encheu de bens os famintos”, possamos nos comprometer com as dores da humanidade e nos colocar a serviço, dando de comer a quem tem fome, mas principalmente dando vida a quem não a tem.






