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Idosos voltam a se destacar entre as principais vítimas da Covid-19

Da Redação – 03/03/2022

 

Os idosos voltaram a se destacar entre as principais vítimas da Covid-19 mais de dois anos após o início da pandemia, indicando que uma quarta dose de imunizante pode ser fundamental para proteger essa faixa etária.

levantamentos feitos em dois dos maiores hospitais de referência para o tratamento da covid-19 no país (Emílio Ribas, em São Paulo, e Ronaldo Gazolla, no Rio) revelaram que no início de fevereiro, de 70% a 90% dos mortos pela doença eram pessoas não vacinadas ou com o esquema de vacinação incompleto.

No fim de fevereiro, porém, esse porcentual caiu para aproximadamente 50%, revelando nova mudança no perfil das vítimas. Na outra metade, a maioria são idosos que tomaram a terceira dose em novembro.

A primeira onda da Covid-19 no Brasil ocorreu entre abril e outubro de 2020, com a entrada do Sars-Cov2 no país. A segunda onda, muito pior, foi de dezembro de 2020 a junho de 2021, com dias que superaram 3 mil óbitos e colapso do sistema público de saúde em várias cidades.

O início da vacinação em janeiro do ano passado fez com que a média de idade das vítimas baixasse significativamente, uma vez que os idosos foram os primeiros a serem imunizados.

No fim de 2021, o surgimento da variante Ômicron do coronavírus, mais transmissível, favoreceu a rápida disseminação da nova cepa no Brasil a partir de janeiro deste ano, o que marcou uma terceira onda da pandemia no Brasil, segundo especialistas.

O número de óbitos voltou a ultrapassar a marca das mil vítimas diárias em meados de fevereiro, embora não tenha aumentado na mesma proporção do número de casos, que ultrapassou 200 mil infectados por dia.

Enquanto a letalidade da doença no Brasil ao longo da pandemia variou de 2% a 4%, nesta última onda ela não passou de 0,4%, o que revela o efeito da imunização.

Agora, um dos grandes desafios da imunização contra a Covid-19, segundo especialistas, é a menor eficácia da vacina justamente na parcela mais velha da população.

por causa do fenômeno conhecido como imunosenescência, os maiores de 70 anos são menos protegidos pelos imunizantes do que a população em geral. E essa proteção tende a cair ainda mais depois de quatro a cinco meses da vacinação completa.

O mesmo fenômeno ocorre em indivíduos submetidos à quimioterapia para Câncer, medicações imunossupressoras, portadores de imunodeficiências, pessoas vivendo com HIV, uso crônico de altas doses de corticoide.

No espírito santo, por exemplo, um dos poucos estados que fez levantamento do tipo, a taxa de mortalidade dos idosos com vacinação completa (duas doses mais uma de reforço) era nada menos que 35 vezes maior do que entre não idosos com vacinação completa.

Nos estados unidos, por exemplo, onde a população é mais velha que a brasileira, a idade média dos mortos por Covid antes da Ômicron era de 68,4 anos. Depois, passou para 74,2 anos. No Brasil, a média da idade de internação pré-Ômicron era de 57,4 anos, passando a 62,5, com mais de 70% dos casos de internação acima dos 60 anos.