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Entre Missionárias da Caridade e pobres de Bratislava, Papa terá uma acolhida calorosa

Por Gabriella Ceraso – Cidade do Vaticano – 13/09/2021
Os mais pobres dos pobres, que as freiras de Madre Teresa acolhem no coração da Eslováquia, estarão ao redor do Papa hoje, em sua visita ao Centro de Belém, na tarde deste segundo dia na Eslováquia. Padre Juraj Vittek nos fala sobre a caridade concreta que tenta curar a solidão de todos.

Uma visita privada entre por entre quartos e o pátio. Assim, na tarde desta segunda-feira, 13, por volta das 16h (horário local), o Papa Francisco visitará o Centro Belém em um dos maiores bairros da Eslováquia e da Europa Central.

E é justamente ali que as Irmãs da Congregação de Madre Teresa acolhem e ajudam os sem-teto e as pessoas com maiores dificuldades da cidade e de suas periferias. Assim, o rosto da caridade concreta dos eslovacos é mostrado ao Pontífice que, para a ocasião, poderá saudar também um grupo de pessoas da Paróquia da Sagrada Família Oratório São Filipe Neri, à qual o Centro está ligado. A guiá-lo, o padre Juraj Vittek, o pároco que falou ao Vatican News sobre a realidade social, o trabalho das irmãs e o espírito com que, como sacerdote, está vivendo esta visita de Francisco. De fato, pela manhã, o sacerdote também participa do encontro do Papa na Catedral com religiosos e bispos:

Padre Vittek, qual é a realidade do Centro Belém e o que o Papa encontrará?

O Centro acolhe os mais pobres dos pobres, como disse Madre Teresa. As freiras costumam sair de casa e vão procurá-los no bosque, na rua, embaixo das pontes e trazê-los para cá. No entanto, seu apostolado diz respeito também a todos os pobres, que estão espalhados por toda parte. Nas tardes de domingo são cerca de 170 pessoas que povoam o Centro para comer uma refeição que as irmãs preparam e todos são convidados a participar da Missa da tarde, na capela que é o lugar sagrado e festivo da casa. O Papa, que quis visitar a casa, encontrar os pobres e aprender sobre o apostolado das irmãs, verá também outras pessoas aqui reunidas: colaboradores leigos que ajudam as irmãs, sacerdotes que vêm regularmente e outras famílias pobres de fora. Eles estarão no jardim comigo. Uma vez que esta realidade faz parte da minha paróquia – aquela que João Paulo II visitou em 2003, a Paróquia da Sagrada Família – fomos convidados, e com as crianças e as famílias preparamos um acolhimento festivo, um acolhimento alegre com as nossas canções.

Podemos considerar este Centro um espelho da realidade social da cidade e do país?

O bairro onde está localizado o Centro é o maior da Europa Central, com seus 120.000 habitantes. Construído pelos comunistas nos anos 70-80, nos 90 era chamado de Bronx Eslovaco, porque havia drogas e violência. Mas hoje a situação mudou muito, é um bom lugar para morar, fica perto do centro, mas como tantos conglomerados urbanos muito grandes vê as dificuldades de tantas pessoas. Mas eu não diria que é um bairro pobre. São as periferias aquelas que têm os mais marginalizados: alcoólatras, toxicodependentes e muitos que vivem na rua. Existem várias causas para essa dificuldade. Por exemplo, acompanho uma pessoa que mora na rua porque ainda não conseguiu superar o assassinato de sua família pela máfia e por 20 anos ainda não conseguiu superar sua solidão. Assim, aqui as histórias são muito diferentes, também há muitos que estão bem integrados e ajudam. Mas o maior problema continua sendo a perda do sentido da vida. Infelizmente não podemos ajudar a todos como gostaríamos e muitos acabam nas ruas novamente.

O senhor também participa do encontro com o Papa na Catedral na manhã de hoje, com bispos e religiosos. O que esperas desta ocasião e como o senhor se preparou?

Eu leio a visita do Papa por meio das muitas congruências entre a nossa Igreja e a latino-americana. Conheci muitos sacerdotes latino-americanos e vi que existem muitas semelhanças com a nossa Igreja, porque existe muita espiritualidade, existe uma devoção popular que é uma força natural, segundo o Papa, da nova evangelização. O povo simples é o portador do Espírito Santo que renova a Igreja. Como diz o Papa: “O povo se evangeliza por si mesmo”. Acho que o Papa percebe isso na Igreja eslovaca. Certamente também aqui não faltam perigos, individualismo e crescimento de populismos como no resto da Europa, aspectos que o Papa não considera bons, na minha opinião. E por isso acredito e espero que o Papa encoraje as boas forças da Igreja eslovaca para que possamos retomar o nosso caminho marcado por uma certa confusão que antes não existia. Os nossos fiéis estão sujeitos a contradições e acredito que ele queira encorajar a devoção popular saudável.