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Ensino remoto agravou desigualdades que já existiam na educação brasileira

Por Agência Rádio 2 – 06/04/2021

 

O ensino remoto, prática que caminhava a passos lentos no Brasil, antes da pandemia, se transformou na principal alternativa para a aprendizagem em meio à crise sanitária.

Mas adotado em larga escala, sem planejamento ou preparo ideais, trouxe à tona uma série de desafios.

Os educadores tiveram que reaprender a ensinar e os alunos precisaram encontrar caminhos para absorver conteúdos propostos de uma forma totalmente nova.

Um cenário que, segundo o líder de relações governamentais do Todos pela Educação, Lucas Fernandes Hoogerbrugge, trouxe à tona duas evidências: o ensino remoto proporciona uma aprendizagem mais lenta e, por diversos favores, mais desigual que o ensino presencial.

SONORA – Na situação de ensino remoto, o que é muito comum é que primeiramente a gente não consiga fazer o processo de ensino aprendizagem da mesma forma com que costuma acontecer. Ou seja, as crianças não vão estar aprendendo tudo que elas estariam aprendendo numa condição normal com as aulas presenciais ocorrendo. E o segundo fator é que vai acontecer de forma diferente pra cada criança. É um momento em que as desigualdades que já eram presentes no país, na educação brasileira são ainda mais aprofundadas. “

Ajustar rotas se torna, assim, uma medida crucial.  E, para os ajustes pedagógicos sejam eficientes, é necessário, antes de tudo, fazer avaliações diagnósticas, com explica Hoogerbrugge:

SONORA : A avaliação diagnóstica serve pra nos dizer como que está cada um desses estudante, pra que a gente possa usar isso pra fazer uma intervenção pedagígica, pra que a gente possa fazer projetos, planos de aula que vão dialogar com a situação desses estudantes”.

O Todos pela Educação tem um projeto chamado Educação Que Dá Certo que mapeia boas práticas educacionais pelo Brasil.

E uma das práticas destacadas pelo projeto, em meio à pandemia, foi a avaliação diagnóstica realizada em Pernambuco.

Em 2020, o estado não padronizou a avaliação para toda a rede, mas apostou em uma avaliação diagnóstica feita pelos próprios professores

Segundo a secretária executiva de Desenvolvimento da Educação de Pernambuco, Ana Selva, uma forma de ter um diagnóstico mais preciso das reais necessidades dos estudantes:

SONORA – “aquele ano era um ano tão atípico e que cada escola teve que lançar mão das ferramentas que ela dispunha que a gente tinha que ser muito realista que era muito importante que a avaliação diagnóstica fosse em cima do que o aluno de fato tinha tido acesso em termos de processo de ensino. Então, mesmo com as estratégias que estavam tendo de plataforma do EducaPE, pela Secretaria, as estratégias que cada escola lançou, que eram as estratégias mais efetivas, porque utilizavam as ferramentas que os estudantes de fato usavam e, ainda mais, elas eram dadas pelos professores dos estudantes, isso ajuda muito nessa conexão.

Com os resultados das avaliações em mãos, gestores podem não só reprogramar conteúdos, mas também adotar políticas públicas que ajudem a garantir que todos os estudantes cheguem nos objetivos de aprendizagem propostos.

Importante para alunos como Jackson Fidelis da Silva, de 17 anos, estudante do terceiro ano de uma escola estadual de Recife, que sentiu na pele os desafios impostos pelo ensino remoto:

SONORA – A gente era acostumado a ir pra escola o professor estar lá pra nos ajudar, tirar as dúvidas e esclarecer as coisas. E quando aconteceu de a gente se distanciar – o professor e o aluno – a gente ficou perdido. Abriu uma lacuna que a gente não sabia como é que fechava.

Vale lembrar que, em razão da pandemia e do entendimento, em âmbito nacional, de que que houve lacunas no aprendizado da Base Nacional Comum Curricular, as escolas foram autorizadas a reforçar atividades e integrar aprendizagens essenciais no chamado ciclo contínuo – o que, na prática, significa que anos letivos de 2020 e 2021 podem ser trabalhados juntos.