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Economia de Francisco: tem início a Escola de Verão sobre economia e bens comuns

Por Debora Donnini – Vatican News – 30/08/2021
A Economia de Francisco, Escola de Verão, um evento internacional em presença, com a participação de cerca de 35 pessoas de 14 países de todo o mundo, realiza-se em Gubbio, Itália, até 4 de setembro.

“A economia, que durante séculos se ocupa de bens privados, deve agora se concentrar mais nos bens comuns”, e por bem comum entende-se um bem que é consumido simultaneamente por várias pessoas e é também um bem escasso. Com estas palavras Paolo Santori, tutor da The Economy of Francesco Summer School (A Economia de Francisco, Escola de Verão) oferece uma visão geral do curso de treinamento que está sendo realizado nas instalações da LUMSA em Gubbio, intitulado “Repensar a economia a partir dos bens comuns”. De 29 de agosto a 4 de setembro, uma série de palestras e workshops pontuará os dias com pensamentos também voltados para o evento internacional no próximo 2 de outubro em Assis, que pela manhã será realizado em nível nacional em cada país e à tarde vivenciará encontros “virtuais” em nível internacional.

Na Economia de Francisco deseja-se colocar ao centro da ciência econômica aqueles bens comuns globais como a atmosfera, as florestas, os oceanos e a biodiversidade. Por esta razão, explica Santori, foi organizado um curso anual on-line, convidando professores de todo o mundo – a chamada Economia da Escola Francisco, da qual ele também é o coordenador – e como conclusão desta Escola de Verão, onde haverá duas palestras sobre este assunto proferidas por Robert Frank, economista americano, e pelo Prêmio Nobel Joseph Stiglitz, sobre o tema das desigualdades, sobre as novas pobrezas delegadas à Covid também em relação aos bens comuns. Santori enfatiza que o bem comum é uma questão que está na mesa há anos, como evidenciado por um dos principais artigos, “A tragédia do bem comum”, datado de 1968, e que uma das primeiras economistas, a estadunidense Katharine Coman, já havia abordado a questão dos bens comuns em 1911.

A economia comportamental no centro

Na Escola de Verão os cerca de 35 participantes são em sua maioria estudantes de doutorado em economia, mas também filósofos e sociólogos, e o caráter é interdisciplinar. No primeiro dia, por exemplo, eles se basearão nas fontes do pensamento econômico franciscano, que introduziu reflexões muito interessantes sobre os bens comuns, sobre o tema da propriedade, mas principalmente o objeto de estudo será o da disciplina conhecida como “economia comportamental”: haverá muita teoria dos jogos, muitas experiências, porque o problema é tentar entender como coordenar ações individuais e começar a raciocinar com perspectivas de grupo, justamente para a gestão desses bens comuns. Portanto, a ideia é que os alunos saiam deste curso com ferramentas que poderão utilizar em suas próprias realidades, em seus estudos, mas também nas realidades acadêmicas, porque a administração dos bens comuns tem um nível econômico, mas também um nível político.

Nas pegadas dos Franciscanos

Respondendo à pergunta se as classes mestras, as aldeias, as escolas, enfim, os vários encontros que compõem A Economia de Francisco, podem ser considerados como uma oficina permanente, Santori explica que eles podem ser vistos desta forma, mas também como um período no qual os jovens economistas, que têm uma sensibilidade para o bem comum que parte dos pobres, podem se enriquecer, em dois ou três anos, e depois voltar às universidades e locais de trabalho levando algumas mensagens e fazendo o que o Papa Francisco pediu, ou seja, “transformar os locais de trabalho em locais de construção de esperança”. Obviamente, além do estudo, os laboratórios, os vários workshops e conferências, visitas culturais a algumas cidades significativas como Assis, Gubbio e Sansepolcro também foram planejados. O modo de pensar franciscano é, de fato, rico tanto em teoria econômica quanto em teoria prática. Os Franciscanos eram, por exemplo, os grandes teóricos do preço certo e, em nível prático, basta pensar nos “Monti di Pietà”, essas proto-instituições financeiras cujo objetivo era tornar bancáveis aqueles que não eram bancáveis – os pobres, os excluídos – e retirá-los da usura. Portanto, é uma economia em escala humana que começa a partir dos últimos.