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Cônego Tombolato, morre por decorrência da covid-19

Da Redação – 29/04/2021

 

Faleceu na tarde desta quinta-feira(29) o Cônego Antonio Tombolato, em em decorrência de complicações da Covid 19.
O Padre Antônio Tombolato tinha 93, e estava  internado, na ala de isolamento da Santa Casa de São Carlos desde a ultima terça-feira.

 

História 

Cônego Antonio Tombolato nasceu em 22 de janeiro de 1928, na Fazenda São Vicente, propriedade dos pais, o italiano Juliano Tombolato e a brasileira Joana Cândida de Oliveira, entre os municípios de Brotas e Torrinha. A mãe morreu quando ele tinha apenas um ano de idade e do segundo casamento do pai nasceram as irmãs, Geni e Elisabete.
A vocação para seguir a vida religiosa surgiu na infância. “Senti o chamado e percebi muito cedo minha vocação. Não tinha ninguém da família que fizesse parte da Igreja e ainda criança fui para São Paulo onde comecei meus estudos no Liceu Salesianos Coração de Jesus.” A sequência da preparação aconteceu em Lorena, Lavrinhas e Pindamonhangaba.
Depois disso, Antonio Tombolato voltou para Lorena onde estudou filosofia e pedagogia. “A partir daí passei a lecionar, morei em Campo Grande, depois no Alto Araguaia, e lecionei também no seminá- rio em São Carlos. Depois me formei em teologia em São Paulo.” Foi seminarista de 1943 até 1958, após a ordenação tornou-se presbí- tero na cidade de Matão.
Em outubro de 1960, o bispo Dom Ruy Serra trouxe o padre Tombolato para a Catedral de São Carlos.
ATUAÇÕES E CONQUISTAS
Um dos primeiros projetos desenvolvidos pelo padre foi a Polícia Mirim, que oferecia acompanhamento e ocupação para crianças. A fundação da Juventude Operária Católica (JOC), que desenvolvia projetos de assistência social, foi outra importante atividade do padre. O grupo condenava os desmandos dos patrões que exploravam os trabalhadores são-carlenses. Sempre atuante e participativo, durante a ditadura militar foi considerado por alguns um padre progressista e chamado até de comunista. “Chegaram a me chamar de comunista, mas na verdade eu sempre agi da forma que o povo precisava, sempre atuei de acordo com a necessidade do povo.”
O envolvimento com a classe operária em defesa dos trabalhadores deixou marcas. Quando era padre da Catedral, apoiou a formação do sindicato dos metalúrgicos oferecendo salas da igreja para as primeiras reuniões e, ao contrário do que muitos pensam, ele garante que o bispo tinha conhecimento de tudo. “O bispo vivia uma situação delicada e complicada. Precisava defender o povo, mas tinha que manter bom relacionamento com as famílias dos industriais, responsáveis pela maior parte dos empregos na cidade.”
Nesta época, ele foi transferido para a paróquia de Vila Isabel, bairro que mais sofria com a falta de recursos e estrutura. “Fundei a creche para que as mães pudessem deixar seus filhos e trabalhar. Chegamos a atender mais de 100 crianças e foi lá que surgiu o projeto Patrulheiro.”
Foram 42 anos dedicados à paróquia que inclui o Santuário Nossa Senhora Aparecida da Babilônia, e até hoje a Vila Isabel é um exemplo de trabalho religioso aliado à assistência social. “Sempre contei com auxílio, nunca faltaram recursos para desenvolver os projetos, sempre que precisava, alguém ajudava. Até mesmo o Educandário, quando por falta de recursos corria o risco de fechar, fui eu quem trouxe os padres Salesianos para assumir a administração”, lembra, orgulhoso.
PERSONALIDADE FORTE
Foi no Educandário que Padre Antonio Tombolato conheceu o menino Edson Luiz da Silva. Hoje aos 50 anos é ele, o filho adotivo, quem cuida do padre. A idade avançada trouxe dificuldades para ouvir e andar, mas não tirou de Tombolato a vontade de viver e servir a Deus. Diariamente ele celebra uma missa às 7h na Capela Nossa Senhora das Dores e atende os mais necessitados em quatro horários especiais por semana, quando realiza uma novena. “Construí minha casa e a capela num terreno da Diocese, pedi autorização para o bispo, queria continuar atendendo o povo”, explica.
A firmeza na pregação e a adoração a Deus o fez conhecido também como um padre que expulsa demônios, fama que até hoje faz com que muitas pessoas, de vários bairros da cidade o procurem. “Jesus expulsou demônios, todas as orações de libertação que faço estão na Bíblia. É preciso ter consciência que o mal existe, temos que combater o inimigo, pedindo as bênçãos de Deus. Mas é preciso saber que não é a igreja que precisa de nós, somos nós que precisamos da igreja”, conclui. Padre Antonio Tombolato